As urnas definiram a continuidade do atual governo federal, mas o mercado já precifica o peso financeiro das promessas de campanha. A reeleição sinaliza a manutenção da agenda econômica, porém, com um quadro fiscal cada vez mais asfixiado, a conta fatalmente recairá sobre o setor produtivo. Para CFOs, Tax Managers e Conselhos de Administração, o cenário exige ação imediata: o horizonte de 2027 traz uma pressão inédita por arrecadação, colocando na mira da Receita Federal a extinção de benefícios fiscais e a implantação implacável das novas regras da Reforma Tributária.

A estabilidade política do fim das eleições não se traduz em calmaria contábil. A fatura do aumento das despesas correntes do Estado sempre é repassada às empresas por meio do recrudescimento da malha fina e do estrangulamento de desonerações.

O debate destacado no portal Migalhas reforça o consenso de especialistas: o planejamento de longo prazo das companhias não pode ignorar o agravamento do risco fiscal.

A Conta Chega em 2027

Com o encerramento do pleito presidencial e a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva confirmada, os bastidores de Brasília já indicam que o agravamento do quadro fiscal exigirá medidas impopulares. Especialistas econômicos e jurídicos apontam que as promessas de ampliação de isenções para pessoas físicas (como o aumento da faixa de isenção do IR) e a expansão de programas de transferência de renda criarão um rombo que só poderá ser coberto pela taxação corporativa.

O ano de 2027 marcará não apenas o início prático do novo mandato, mas a virada de chave definitiva da Reforma Tributária (com a extinção progressiva de antigos impostos e a cobrança plena do IBS e da CBS). O Fisco precisará maximizar a arrecadação exatamente nesse período de transição.

Como Preparar o Caixa da Companhia

Para a alta gestão financeira e jurídica, a hora de estancar vulnerabilidades é agora. A estratégia corporativa deve se apoiar em três pilares defensivos:

  1. A Caça aos Benefícios Fiscais: Setores que dependem de regimes especiais (como o Perse, desoneração da folha ou incentivos regionais de ICMS/SUDENE) devem se preparar para o pior cenário. O Governo utilizará a tesoura regulatória para revogar ou limitar agressivamente essas concessões. O Legal Ops da empresa precisa traçar imediatamente o Business Plan sem contar com essas isenções ou preparar ações preventivas (Mandados de Segurança) para garantir o direito adquirido até o fim dos prazos legais.

  2. Transição Tributária de Risco: A migração para o IBS e a CBS não será um ambiente de benevolência fiscal. Com a necessidade de fazer caixa, a Receita Federal adotará interpretações restritivas sobre o uso de créditos e aplicará o Split Payment com rigor máximo. O Compliance Tributário deve mapear todos os créditos acumulados (como os de PIS/Cofins e ICMS) e acelerar a monetização ou compensação antes que o novo sistema trave esses valores em auditorias intermináveis.

  3. Contencioso Estratégico como Proteção: Diante da “fome arrecadatória”, o volume de autuações fiscais vai disparar. As empresas precisam provisionar caixa e estruturar garantias (Seguro Garantia Judicial) de forma eficiente, evitando bloqueios de contas (Sisbajud) que paralisem a operação enquanto o Departamento Jurídico discute autuações abusivas nos conselhos de contribuintes (CARF).

A previsibilidade fiscal no Brasil é uma ilusão; a proteção do caixa exige ação antecipada. A conta do Estado vai aumentar. A sua empresa não pode pagar por ela sozinha.

Fonte: Portal Migalhas