Limitação de responsabilidade, SLAs e multas rescisórias: entenda por que os maiores litígios corporativos nascem de contratos genéricos e como blindar o seu negócio.
Muitas empresas celebram o fechamento de um grande negócio no exato momento da assinatura do contrato. Contudo, para a Governança e a Diretoria Financeira, é neste instante que o verdadeiro teste começa. Um contrato mal estruturado, importado de modelos prontos ou revisado sem o devido rigor técnico, não é uma garantia de parceria, é o embrião de um litígio comercial milionário.
O Fato: Onde os litígios começam
O mercado jurídico tem alertado de forma incisiva para o perigo invisível das “cláusulas sensíveis”. Um levantamento recente, destacado na última edição do portal Migalhas, mapeou os exatos pontos onde as maiores disputas judiciais entre empresas nascem: a falta de clareza em cláusulas de limitação de responsabilidade, nas penalidades, na definição de SLAs (Service Level Agreements) e nas regras de rescisão imotivada.
Na prática, as disputas não ocorrem porque a parceria comercial deixou de fazer sentido, mas sim porque as regras de exceção foram redigidas de forma amadora, sem observar os preceitos do Código Civil Brasileiro.
O Ângulo Estratégico: O impacto direto na operação
Para a Alta Diretoria (CEOs, CFOs e gestores de suprimentos), negligenciar a revisão de boas práticas de redação contratual é um erro crítico de gestão de risco. O impacto de um contrato vulnerável ataca a empresa em três frentes principais:
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O Risco da Limitação de Responsabilidade: Se um fornecedor de tecnologia falhar e derrubar o seu e-commerce durante a Black Friday, quem arca com o prejuízo das vendas perdidas? Se o contrato não tiver uma cláusula robusta de limitação de responsabilidade e indenização, a sua empresa poderá travar uma batalha judicial de anos sem a garantia de recuperar o caixa.
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SLAs e Cláusulas Penais Irreais: Muitas empresas assinam compromissos de Nível de Serviço (SLA) irreais apenas para fechar o negócio. O resultado? Falhas operacionais normais do dia a dia acionam cláusulas penais automáticas. O que deveria ser um contrato lucrativo transforma-se em um ralo de descontos, multas e retenções de pagamento.
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A Armadilha da Rescisão Imotivada: Regras confusas ou omissas sobre o aviso prévio e multas de saída abrem brechas para que parceiros ou fornecedores essenciais abandonem a operação do dia para a noite. Ou pior: exigem que a sua empresa pague indenizações abusivas caso decida encerrar um serviço que não está entregando qualidade.
A proteção da margem de lucro de um negócio começa muito antes da prestação do serviço. Exige boas práticas de redação contratual e conhecimento prático sobre como os tribunais julgam disputas empresariais.
Fonte: Portal Migalhas | Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados

